Infeliz aniversário na cadeia, Marcelo Miranda

Marcelo abusou da confiança dos tocantinenses e matou centenas de pessoas que por causa dos seus roubos pereceram a espera de medicamentos e vítimas da violência por falta de policiamento e segurança pública

Editorial - Por Márcio Rocha - Neste 10 de outubro o ex-governador Marcelo Miranda completa 58 anos, e para sua infelicidade preso no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, acusado de atos horríveis como o desvio de mais de R$ 300 milhões, além de torturas e até assassinatos. (continua abaixo)

O caminho de Marcelo Miranda até chegar ao ponto em que se encontra hoje foi repleto de vitórias, alegrias, derrotas e tristezas.

Desde que foi eleito para conduzir o Tocantins pela primeira vez, em 2002, ungido pelo então governador Siqueira Campos, Marcelo sempre foi seguido de perto pelo seu pai, Brito Miranda, que sempre foi uma eminência parda no governo do filho, operando diretamente da secretaria da Infraestrutura diversos esquemas criminosos que estão eclodindo agora, a partir de operações policiais como Pontes de Papel e Reis do Gado.

Marcelo era o governador de direito, mas quem operava a máquina pública era o pai, que era o governador de fato. Não à toa Brito foi preso junto com o filho e só foi solto, devido a sua idade avançada, 85 anos e os supostos problemas de saúde inerentes a ela.

Brito já era conhecido, pois havia sido deputado federal pelo norte goiano e era ex-secretário do então governador Siqueira Campos. Mas foi no governo de Marcelo que surgiu uma figura sombria e conhecida só pelas pessoas mais próximas, o irmão mais novo de Marcelo Miranda, Brito Junior, hoje com 52 anos, e que também está preso, atualmente na CPP de Palmas.

Assim como o cajado de Moisés, Júnior, segundo as próprias investigações do Ministério Público Federal, era o instrumento do pai, para operar na prática os esquemas criminosos da família. Estava formada a quadrilha que antes mesmo de começar a assaltar os cofres públicos nomeou dezenas de parentes para cargos no Governo do Estado, resultado em um dos maiores escândalos de nepotismo da história da república.

Desde aquela época Marcelo nunca foi inocente, pois sempre foi condescendente e sabedor das operações do velho Brito, mas fazia questão de não participar diretamente, deixava tudo a cargo do pai, que só lhe enviava os papeis que deveriam ser assinados para serem publicados no Diário Oficial, com prorrogações de contratos milionários, obras superfaturadas e desvios de recursos de toda monta. Até as roupas íntimas da primeira dama eram compradas com dinheiro proveniente de corrupção, assim como joias e outros bens.

Mesmo as mansões de Marcelo e Brito Miranda foram construídas a partir da doação suspeita de um terreno milionário para a empreiteira de um de seus primos, Luciano Rocha, que também foi preso dias atrás e chegou a ter a estadia na cadeia prorrogada devido à não colaboração com as investigações.

Os casos de corrupção se sucederam e Marcelo foi cassado por duas vezes e ainda impedido de assumir o cargo de senador. Até mesmo quando flagrado cometendo ilícitos, como o caso do avião com dinheiro e santinhos, em 2014, a polícia descobriu que a quadrilha dos Miranda pagou R$ 700 mil para uma testemunha acusar o então governador e concorrente, Sandoval Cardoso, como culpado pelo esquema, mostrando uma organização invejável aliada a total falta de escrúpulos e traços de psicopatia de dar inveja aos melhores diretores de cinema.

Seguindo a orientação dos advogados Marcelo, Brito e Júnior também ficaram calados quando presos. Se recusaram a colaborar com as investigações para não produzir provas contra si, pleiteando uma liberdade que não condiz com a gama de crimes cometidos.

Marcelo e seus familiares roubaram sem cerimônia, jovens, velhos, crianças, homens e mulheres. Tiraram dinheiro da Saúde, da Educação e da segurança pública em nome do enriquecimento criminoso, às custas principalmente da população mais pobre que era justamente aquela que Marcelo em seus discursos hipócritas dizia ajudar.

Quantas pessoas morreram nas filas dos hospitais para que Marcelo e sua família pudessem sorrir com notas de 100 reais até o pescoço, chafurdando no crime como porcos na lama?

Quantas crianças tiveram uma péssima educação para que Marcelo e sua família pudessem encher suas fazendas de gado até não caber mais, para ocultar o patrimônio obtido às custas de incontáveis crimes e esquemas?

Quantos pais e mães de família não choraram a perda de entes queridos para o crime, para que Marcelo e sua família pudessem brindar com champanhe em suas mansões o auge de seus esquemas criminosos?

Nos anos em que foi governador, utilizando o slogan de “moderno, humano e democrático” Marcelo Miranda e seus parentes mataram diretamente centenas de tocantinenses, que acreditaram em suas mentiras e só receberam em troca óculos de quinta categoria e serviços também superfaturados através do Governo Mais Perto de Você.

Tomara que para a manutenção da ordem pública e para o bem dos tocantinenses, Marcelo e seus parentes fiquem presos durante vários aniversários, para que sirvam de exemplo aos demais políticos de que não podem enganar o povo para sempre, e que um dia a conta há de chegar, com a força da lei e a espada da justiça.

Infeliz aniversário na cadeia, Marcelo Miranda!

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